Etiqueta Mágica (parte 2 de 3)

Continuando o assunto deste post, seguem algumas dicas da Naelyan Wyvern para praticantes pagãos ao visitar grupos abertos, círculos e estudos e afins. 😉

Parte 2: em eventos e rituais

a) Dentro de um círculo mágico, a palavra do oficiante é lei.

Isso significa que se você está dentro de um círculo mágico e o oficiante te pede para fazer alguma coisa você tem duas opções: faça ou peça para se retirar no círculo.

Não se desrespeita o círculo mágico traçado por outra pessoa. Se você não concorda com o que está sendo feito, peça discretamente para deixar o círculo, mas não desrespeite o ritual que estiver acontecendo. Normalmente, quando um oficiante deseja que uma pessoa exerça alguma atividade em um ritual, esta pessoa é avisada antes do círculo ter sido lançado. E neste caso, você tem total liberdade para chegar e dizer: “não, obrigado, mas não quero exercer esta função.”

Mas se o círculo já estiver sido traçado, a palavra do oficiante precisa ser respeitada. Ainda assim você tem a opção de se levantar, aproximar-se do oficiante e explicar, discretamente para ele ou ela que você não deseja exercer a função. Se ele ou ela insistir, você tem duas opções, faça ou peça licença e deixe o círculo.

A única exceção a esta regra é o fato de que nenhum oficiante pode te obrigar a comer ou beber alguma coisa dentro do círculo contra a sua vontade. Se chegar às suas mãos um cálice de cujo conteúdo você não deseja beber, simplesmente passe o cálice à frente ou devolva a quem o entregou a você. Sempre, entretanto, com uma atitude respeitosa.

b) Dentro de um círculo mágico, a palavra do oficiante é lei.

Só para ter certeza de que você gravou bem esta regra.

c) Não invoque o que você não consegue banir.

Esta é uma das regras mais poderosas da magia, uma das primeiras que se aprende. E muita gente ainda faz besteira.

Não há nada pior do que ter que limpar a sujeira mágica de um iniciante que resolveu invocar alguma entidade para bancar o macho perante os amigos e acabou sujando as calças de medo quando a dita entidade resolveu aparecer. E saiu correndo do círculo largando a tal entidade solta em nosso mundo.

d) Se você não concorda, saia, mas não perturbe.

Se você não concorda com o objetivo de um ritual ou feitiço, saia ou não compareça, mas não tente atrapalhar ou criticar no meio da cerimônia.

Se houver alguém no círculo de quem você não goste, ainda é possível trabalhar juntos magicamente se ambos se focarem no objetivo final. Mas se você estiver se sentindo decididamente incomodado pela presença da pessoa, deixe o círculo, você não tem o direito de atrapalhar as energias de um ritual.

Se você se sentir incomodado com alguém ou alguma atitude durante um ritual e não for possível ignorar e continuar, saia do círculo, mas não comece uma discussão no meio do procedimento.

Se algo ilegal estiver sendo feito e o oficiante ou organizadores forem os responsáveis, saia imediatamente.
Se algo ilegal estiver sendo feito e o oficiante ou organizadores não forem os responsáveis, avise-os imediatamente e saia.

e) Siga as instruções.

Se você entrou em um ritual ou evento faça o possível para participar de forma adequada. Siga as orientações que estiverem sendo dadas, faça o que for pedido.

f) Não crie surpresas no círculo alheio.

Não invoque, não evoque, não “receba” coisa alguma dentro do círculo alheio. Não leve ou use nenhuma substância ilegal ou controlada, não vá para o círculo bêbado ou drogado. Não roube o ritual de outra pessoa colocando seus próprios objetivos ou sua agenda. E nunca, sob nenhuma hipótese tente dar um showzinho.

Há algum tempo atrás aconteceu um evento excelente para ilustrar esta regra. Era para ser um ritual para uma determinada Deusa. Mas um dos participantes, com uma certa mania de querer ocupar o centro do palco, achou que precisava dar uma sacudida do ritual. De uma hora para outra ele “recebeu” Lúcifer. Não o Deus da Luz original, mas a versão cristã – o diabo. E deu um show.

A sorte dele é que não havia um único praticante sério ou capaz no círculo. Se houvesse ele provavelmente teria sido retirado do círculo arrastado pelos cabelos. Era o que eu faria se fosse meu círculo.

Eu já estive em vários círculos em que pessoas “subitamente passam mal”, já vi pseudo desmaios, gente “recendo santo”, gente canalizando mensagens de mestres acionados e toda uma gama de palhaçadas. As pessoas são livres para acreditar no que bem quiserem e dar seus shows onde quiserem, mas nunca, nunca no ritual alheio.

Eu jamais tolerei este tipo de showzinho em meus círculos e a maioria dos praticantes sérios também não. Porque, existe uma lei universal e mágica muito simples que diz que, uma vez que um círculo mágico tenha sido traçado, a menos que o oficiante seja muito incompetente, nada que não tenha sido invocado poderá entrar. O que significa que nenhum santo, nenhum mestre acenso, nenhuma outra divindade que não tenha sido convocada vai entrar. Logo, as pessoas que recebem essas coisas dentro de um círculo estão fingindo, nada mais, nada menos.

A coisa mais severa que eu já fiz com uma pessoa que fingia receber um espírito dentro do meu círculo foi jogar na cara dela um copo de água gelada. Mas conheço magos que fizeram coisas bem piores.

E mesmo que o praticante opte por não tomar nenhuma medida mais drástica, pode ter certeza de que esta pessoa nunca mais será convidada de novo.

Se acontecer de você se sentir mal dentro de um círculo, peça a alguém para abrir uma porta para você e saia. Uma vez lá fora, coloque as palmas das mãos e a testa no chão e deixe que a terra retire qualquer energia inadequada de seu corpo.

Para garantir que não haja perigo de você passar mal em um ritual, nunca vá de estômago completamente vazio e nunca se estiver com febre ou indisposições estomacais e intestinais.

g) Ajude, se a ajuda for aceita.

Muita gente adora ajudar. E não percebem que estão ultrapassando certos limites. Tem gente que adora que as pessoas lavem as vasilhas que usaram em sua cozinha, tem gente que se sente invadido. Assim como tem gente que adora que ajudem a montar e desmontar o altar. E tem gente que detesta.

Ofereça sua ajuda, mas aguarde a resposta antes de ir colocando a mão nas coisas. Se a resposta for sim, pergunte como você pode ajudar. Se a resposta for não, fique na sua.

h) Cuide de seus pertences.

Na maioria das vezes, as pessoas que freqüentam eventos mágicos são confiáveis. Mas isso nem sempre acontece. Já houve furtos de todas as formas em eventos mágicos. Assim sendo, leve apenas o necessário e mantenha seus pertences com você ou tranque-os no carro, se este estiver em local seguro.

i) As coisas não precisam ser do seu jeito.

Não se irrite se você não concordar como as coisas são feitas. Por mais estúpido, ridículo que possa parecer, não cabe a você julgar se está certo ou errado. Se você não gosta, não volte, não repita. Mas não faça comentários torpes e não atrapalhe o evento.


Não lembra da parte 1? Você pode ler ela AQUI.
As recomendações finais de Etiqueta Mágica será postada dentro de algumas semanas. 😉

Por Naelyan Wyvern, Bruxa e Wiccana desde 1992, fundadora e Alta Sacerdotisa da Tradição Caminhos das Sombras. Também Suma Sacerdotisa Wanen. Atualmente mora em Vancouver, BC, Canadá.
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