Aoife, a bela rainha guerreira

Aoife (pronuncia-se “îfá”) também escrito como Aífe, é uma Deusa Celta da Escócia e Irlanda. Descrita como uma bela porém feroz guerreira e rainha, também chamada de “Senhora da Ilha da Sombra” (algumas fontes falam que esta era a Ilha de Skye na Escócia).

Algumas fontes dizem que ela era rival e irmã de Scathach e ambas tinham uma escola na ilha em que viviam, em que treinavam guerreiros, mas a escola de Aoife teve muito menos sucesso.

Aoife traz o poder da mulher forte, aquela que, mesmo preterida, não desiste, aquela que vai atrás do que deseja mesmo que isso lhe traga prejuizos, mas que pelo menos nunca desistiu.

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Origem do nome

Seu nome provavelmente deriva do galélico “aoibh”,  que significa “beleza” ou “radiante”. Também já foi comparado ao nome gaulês “Esvios” (latinizado para Esuvius, e com feminino Esuvia).

De qualquer forma o nome desta Deusa não tem relação com o nome bíblico “Eva” cuja grafia irlandesa seria “Éabha”,  mas devido a similaridade do som muitas vezes Aoife acaba sendo escuto como Eva ou Eve nas línguas inglesas. Tal como aconteceu com a Senhora de Leinster and Condessa de Pembroke, no século 12, Aoife MacMurrough que em muitos lugares se tornou conhecida como Eva de Leinster.

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Mitologia

A maioria de seus mitos estão presentes no Ciclo de Ulster (grupo de lendas e contos datados do século 1 D.E.C).

Aoife e Cuchulain

Aoife foi criada com Scathach e ambas lutavam constantemente. É dito que Scathach treinou o lendário herói irlandês Cuchulainn na arte da guerra. Scathach deu à Deusa a arma mágica o gae bulga como um presente mas Aoife o perdeu no combate de contra Cuchulainn, batalha esta que o herói só derrotou Aoife usando um truque: ele mentiu dizendo que os queridos cavalos e carroças da Deusa estavam caindo de um precipício, a Deusa se virou e Cuchulainn prontamente segurou uma faca na sua garganta, derrotando-a e assegurando a paz entre as duas irmãs.

Apesar de derrotada, Aoife, incansável, seduziu Cuchulainn e acabou engravidando dele, porém o herói foi embora antes de saber da gravidez de Aoife e, quando estava indo, ele deu a ela um pequeno anel dourado.

A bela Deusa esperava que Cuchulainn voltasse mas, ao invés disso, ele se casou com outra mulher, Emer. Seu filho, Conlaoch nasceu e, conforme ele crescia, a raiva da Deusa crescia junto. Ela criou-o, treinando-o nas artes do combate e quando ele já tinha idade suficiente ela o mandou para Emain Macha, com o anel ganho de Cuchulainn, e com um geis (um tabu imutável) de que ele nunca deveria revelar seu nome ou sua linhagem, nem recusar uma luta.

Quando chegou ao local foi-lhe perguntado o seu nome e linhagem e, por não poder revelá-lo, o guarda do portão achou suspeito e convocou Cuchulainn que também perguntou seu nome e linhagem e, embora Conlaoch soubesse que Cúchulainn era seu pai, ele não pôde revelar e assim Cuchulainn desafiou-o a um duelo.

O Herói derrotou Conlaoch mas somente neste momento viu o anel que, anos atrás deu à Aoife. Sem saber como lidar com a morte de seu único filho por suas próprias mãos, Cuchulainn passou o resto da vida em reflexão de suas paixões, raivas e ações precipitadas.

O destino dos filhos de Lir

Após a Batalha de Tailltiu e a derrota dos Tuatha Dé Danann, houve uma Assembléia de Reis em Tara para decidir quais dos cinco reis teriam a soberania sobre a Irlanda. Os irlandeses escolhem Bodb Derg, o filho mais velho do Dagda, e Lir sai furioso da assembleia por achar que o reinado seria dado a ele, indo para sua casa em Síd Finnachad.

Os outros reis ameaçaram seguir Lir e atacá-lo devido à sua insubordinação e rebeldia, mas Bodb os parou, dizendo que deveria haver amizade entre eles para que a paz pudesse prosperar na Irlanda e, como um sinal de amizade, enviou suas três filhas adotivas para que ele pudesse escolher entre uma delas para se casar.

Lir escolhe a mais velha, Aobh, com quem tem dois filhos: Aodh e Fionnuala. Mais tarde, ela dá a luz à mais dois meninos, Fiachra e Conn, mas infelizmente morre no parto. Lir fica devastado com a situação, e se não fosse seu amor pelos seus filhos, teria morrido de tristeza.

Para que a amizade entre eles não fosse prejudicada, Bodb envia a segunda filha mais velha, Aoife, para casar-se com Lir novamente. No início, Aoife amou os filhos de Lir, mas conforme foi vendo o quão apegado era ele com seus filhos, sentiu ciúmes e inveja.

Certo dia, ela leva os quatro filhos de Lir para passear,dizendo que iria levá-los para visitar seu avô Bodb, mas seu verdadeiro plano era matá-los, porém ela não conseguiu empunhar sua espada contra crianças inocentes e acabou por transformá-los em quatro cisnes,. Fionnuala, a mais velha e única, implorou e suplicou que o feitiço fosse revertido. E Aoife sentiu remorso, mas era tarde demais. Ela não tinha o poder de reverter o feitiço. Em vez disso, colocou um limite, dizendo que duraria até que uma nobre do sul se casasse com um nobre do norte.E os protegeu dando-lhes vozes melodiosas, cujo canto faria os homens não querer fazer nada mais além de escutar-lhes.

Aoife vai para a casa de seu pai adotivo, Bodb, e ao contar que as crianças não quiseram ir com ela, o povo de Bodb manda mensageiros para buscar os filhos com Lir. Quando Lir descobre que seus filhos tinham saído com Aoife, ele ficou preocupado e suspeitou que Aoife tinha feito algo de ruim com eles. Ele partiu imediatamente para a casa de Bodb Derg, e chegando lá, viu quatro cisnes falando com vozes humanas que disseram que eram seus filhos e explicaram tudo o que tinha acontecido.

Lir conta para Bodb o que Aoife fez, e Bodb a transforma em um demônio do ar, condenada a ficar nessa forma para sempre.

Aoife e Manannan

Outras fontes a colocam como consorte do Deus do mar Manannan (ou um de seus filhos) e dizem que roubou o “alfabeto do conhecimento” dos Deuses para dar à humanidade. Por essa transgressão ela foi transformada em um grou (dependendo da fonte ela se transformou em corvo ou garça) por deidades mais antigas. Algumas lendas dizem que ela está nessa forma até hoje enquanto outras falam que ela foi morta por caçadores.

Há também uma versão no Dunaire Finn (O Livro das Leis de Fionn), que Aoife, a filha de Delbaeth. Ela e Iuchra, ambas apaixonadas por Ilbhreac, um dos filhos de Manannan. Com ciúmes de seu amado, Iuchra chama Aoife para nadar, e ao entrar na água, Iuchra a transforma em um grou, profetizando que Aoife ficaria daquela forma durante duzentos anos até a sua morte na casa de Manannan, com todos zombando dela e sem poder ir para a terra, e que ao final de sua vida, Manannan faria uma bolsa com sua pele onde guardaria seus tesouros.

Alguns dizem que Aoife continua como um pássaro até hoje, condenada a passar a eternidade nos céus. Outros dizzem que de fato Manannan fez um saco com sua pele e nele colocou objetos sagrados ou simbólicos do Fianna. De qualquer forma, grous são considerados bons presságios da sorte porque eles saem do campo em tempos de guerra. Por isso, sua presença sugere que a paz prevalecerá.

 

 

Parentesco:

  • Filha de ArdgeimmDelbaeth dependendo do mito
  • Consorte de Cuchulainn em alguns mitos e de Mananan ou de Ilbhreac em outros
  • Mãe de Conlaoch (ou Connlach)

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Guia rápido de Correspondências:

  • Invoque Aoife para: transformação, batalhas, paz, beleza, conhecimento, aprendizagem, ensinar os outros, magia, encantamentos.
  • Animais: corvos, garças e grous
  • Aromas e Ervas: Verbena, carvalho
  • Cores: azul royal e preto.
  • Face da Deusa: Mãe.
  • Elemento: fogo
  • Dia da semana: terça-feira
  • Símbolos: pássaros, penas, ogham
Fontes
http://tirtairnge.blogspot.com.br/2016/10/o-deus-manannan-mac-lir.html
http://caminhocelta.blogspot.com.br/2009/07/lendas-celtas-irlandesas-o-destino-dos.html
https://en.wikipedia.org/wiki/Aoife
http://www.joellessacredgrove.com/Celtic/deitiesa.html
http://powderroom.kinja.com/tis-the-season-to-celebrate-irish-women-warriors-and-fe-1691153534
http://www.shee-eire.com/Magic&Mythology/Warriors&Heroes/Warriors/Females/Aoife/Page1.htm
http://bardmythologies.com/aoife/
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