O significado do Caldeirão e seus usos mágicos

O Caldeirão sempre foi associado à imagem da bruxaria, e hoje, faz parte do altar de muitas pessoas. Vejo que muita gente usa o caldeirão como um recipiente para fazer fogo, apenas, e aí resolvi compartilhar um pouco do seu significado.

Na mitologia celta, a figura do Caldeirão é muito importante. Há diversos caldeirões diferentes, talvez os mais famosos sejam o caldeirão da abundância de Dagda, que nunca fica sem alimento, e o caldeirão de Cerridwen, fonte de inspiração divina. Mas há outros caldeirões nessa mitologia: para reviver, os mortos, para curar as feridas dos guerreiros, para conceder juventude e vida eterna…

O Caldeirão é essencialmente associado ao elemento Água, porque simboliza o Ventre Vivo da Deusa, onde toda a vida é gerada. Por isso, o mais natural é que ele seja preenchido com esse elemento. O caldeirão é negro, representando a escuridão primordial, a Primeira Noite, o momento da criação de tudo, onde todas as possibilidades estavam contidas no Ventre da Deusa. Ele tem três pés, representando as três faces da Deusa, unidas como a Criadora de Tudo, a doadora da vida.

Cheio de água, o caldeirão é o Ventre da Deusa de onde toda a vida nasce e para onde toda a vida retorna. É onde morte e renascimento se tornam a mesma coisa. É ventre e tumba.

Como instrumento mágico, o caldeirão cheio de água é usado para scrying (adivinhação por contemplação, como uma bola de cristal), substituindo o uso de um espelho negro (na verdade, essa é a origem do trabalho mágico com o espelho). Contemplamos a água para vermos as imagens que se formam ali e vislumbrarmos o futuro ou encontrar respostas para as perguntas que desejamos responder.

Cheio de grãos, como o caldeirão da abundância, representa as dádivas da terra, a prosperidade e a nutrição profunda, não só do corpo, mas também da alma. Com fogo aceso, representa o poder transmutador do útero da Deusa, onde uma coisa se transforma em outra. O caldeirão com uma vela acesa dentro dele representa a vida sendo gestada.

Então se você tem o costume de apenas acender fogo no seu caldeirão, experimente esses outros usos tradicionais dele

Texto original por Flávio Lopes, bruxo, sacerdote wiccano, paulistano, amante de chocolate, de manhãs quentes, de abelhas e livros.
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