Diferenças entre Magia, Feitiçaria, Bruxaria e Wicca

Magia

Magia é a crença de que é possível provocar mudanças na realidade através de atos simbólicos. Quando fazemos uma oração, usamos uma determinada cor de roupa para atrair algo, batemos na madeira, meditamos, visualizamos símbolos, estamos fazendo magia.

Alta magia, baixa magia, magia do caos, magia enoquiana, goétia, magia dos anjos, magia natural, magia folclórica, simpatias… Tudo isso são exemplos de sistemas mágicos. Existem muitas formas e sistemas diferentes para se fazer magia, e esse pensamento mágico está presente em TODAS as religiões. É um fenômeno universal.

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Feitiçaria

Feitiçaria é um tipo específico de magia que manipula ingredientes e materiais da natureza para manipular energia e provocar uma mudança na realidade. Feitiçaria funciona por um princípio de correspondências: usamos ingredientes que tenham determinadas características energéticas para fortalecer aquela energia e concretizar nosso desejo.

A prática de feitiçaria também está presente em diversas religiões, mas não depende de uma religião específica. É um ofício. Uma prática. Sempre que usamos ervas, velas, óleos, incensos e outros materiais para direcionar energia, estamos fazendo Feitiçaria. Muita gente confunde Feitiçaria com Bruxaria, e infelizmente muito material tem sido traduzido incorretamente, usando essas palavras como sinônimos, mas na verdade dizem respeito a coisas diferentes. Qualquer pessoa que faz feitiços é Feiticeiro, mas nem todo Feiticeiro é um Bruxo. Feitiçaria também é um fenômeno universal, encontrado em todo o mundo.

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Bruxaria

Quando falamos em Bruxaria, é preciso diferenciar Bruxaria Histórica de Bruxaria Moderna.

Bruxaria Histórica diz respeito a um fenômeno específico da Europa surgido na Idade Média chamado de Witchcraft. A crença de que certas pessoas possuíam alianças com o Diabo, obtinham poderes especiais e tramavam contra a Igreja, que passou a perseguir, torturar e matar as supostas bruxas e bruxos. Acontece que a Igreja passou a chamar todos aqueles que mantinham práticas mágicas não cristãs de “bruxas”: as benzedeiras, videntes, ciganas, parteiras, curandeiras… Todas foram demonizadas como “bruxas”. Essa imagem negativa foi tão forte que influenciou até mesmo figuras do passado: e aí passamos a nos referir a figuras como Medeia e Circe, por exemplo, como bruxas, quando na verdade elas eram Encatadoras (Enchantresses) e Feiticeiras (Sorceresses), e não bruxas (witches). Então toda essa visão romântica do bruxa como uma parteira, curandeira, etc é promovida pela Igreja. É claro que essas pessoas existiam, mas não eram chamadas de bruxas. A palavra “bruxa” era demasiadamente ofensiva e negativa. Tudo isso criou a imagem popular que temos da Bruxa atualmente. Por volta do século XIX, essa imagem começou a ser romantizada, culminando com o surgimento da Bruxaria Moderna.

Bruxaria Moderna diz respeito à um fenômeno também europeu, do século XX, que resignificou o que a Inquisição chamou de Bruxaria para recriar um antigo culto pagão da fertilidade, que não tinha relação nenhuma com o diabo ou o cristianismo, e que mais tarde ficou conhecida como Wicca, um sistema iniciático específico. Bruxas praticam magia e feitiçaria, assim como muitas outras religiões, mas a prática da magia ou feitiçaria não faz de alguém um bruxo. É o mesmo que achar que qualquer pessoa que acende uma vela para um Orixá é automaticamente um Pai de Santo. Wicca/Bruxaria tem suas bases próprias e é um fenômeno religioso específico. A própria palavra Witchcraft (bruxaria) tem a mesma raiz da palavra Wicca.

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Wicca

Na década de 50, Gerald Gardner vai ao público e apresenta a Bruxaria Moderna, que inicialmente era apenas chamada de Bruxaria, e mais tarde ficou conhecida como Wicca. Poeticamente, a Wicca se disse herdeira das antigas práticas mágicas da Europa, mas sabemos que seu surgimento é recente. Ela é uma herdeira dos antigos cultos de mistério da Europa. Hoje existem diversas vertentes de Wicca, que representam diferentes formas de se praticar Bruxaria. Dentro do contexto religioso atual, essas palavras se tornaram sinônimas.

Isso quer dizer que uma mãe de santo não é uma bruxa. Uma benzedeira não é uma bruxa. Um médium não é um bruxo.

Essas pessoas todas podem praticar magia, feitiçaria, mas não praticam bruxaria. Quando chamamos essas pessoas de bruxas, estamos propagando o velho preconceito cristão que colocava todas essas práticas diferentes no mesmo saco.

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Texto original por Flávio Lopes, bruxo, sacerdote wiccano, paulistano, amante de chocolate, de manhãs quentes, de abelhas e livros.
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